Qualidade de Vida e Sustentabilidade: conceitos que se inter-relacionam
Autora: Maria do Socorro M. V. de Carvalho*
O “Correio do Planalto, de fevereiro de 2009, publicou um texto de autoria do Senador Cristovam Buarque intitulado “As cores de Obama”, no qual ele afirma que o Presidente Obama já está na história como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, mas que para ser considerado o primeiro presidente norte-americano do século XXI, é de esperar que seja, também um presidente verde. Afirma o senador que é preciso trazer a preocupação ambiental para o centro do debate e das decisões na economia, na sociedade, na ocupação da terra pelos americanos e demais cidadãos do mundo.
Ao ler a coluna, consideramos relevante discutir, em um espaço dedicado à qualidade de vida, a questão maior sustentabilidade do planeta, uma vez que ela é afetada pelas escolhas políticas, econômicas, tecnológicas feitas por diferentes governantes e, também, por cidadãos.
Sabemos que é utópico falar em qualidade de vida sem conciliar as grandes questões relativas à maneira como fazemos nossas escolhas enquanto cidadãos. A forma como usamos os recursos do planeta determina a qualidade de vida daqueles que nele vivem.
A revista “Desafios do Desenvolvimento”, de janeiro de 2008, traz uma materia importante sobre cidades brasileiras que estão construindo indicadores de qualidade de vida para cobrar resultados do administrador municipal. O projeto teve origem no movimento “Nossa São Paulo: outra cidade”, que foi inspirado na experiência colombiana de dezembro de 2007, quando o prefeito de Bogotá se submeteu a um programa de avaliação de seus quatro anos de governo. No caso de São Paulo está prevista uma ampla pesquisa qualitativa sobre a percepção dos cidadãos em relação aos principais problemas da cidade, tais como, educação, saúde, corrupção, segurança pública, assistencia social, desigualdade...
Ao ler a materia, fica claro que a qualidade de vida é afetada pela forma como o governo e a sociedade se organizam para garantir às pessoas melhores condições de vida. Todos nós, enquanto cidadãos conscientes de nossa responsabilidade pela construção de uma sociedade mais justa e democrática, temos a certeza de que não podemos falar em qualidade de vida enquanto grandes contingentes de pessoas não tiverem acesso aos bens sociais. O discurso crítico em relação à sociedade conteporânea evidencia que os valores de acumulação se sobrepõem aos valores de compartilhamento.
É, portanto, necessário incluir na agenda daqueles que se preocupam com a qualidade de vida, a questão da sustentabilidade entendida em suas diferentes dimensões: sócio-política, econômica, cultural, ambiental, cultural. A maior ameaça à qualidade de vida é a forma inconsequente como têm sido utilizados os recursos de que dispõem as nações para alcançarem o crescimento econômico.
A sociedade que ajudarmos a construir determinará o nivel de qualidade de vida que alcançaremos enquanto cidadãos.
Na cidade em que vivemos, considerada cmo a capital da qualidade de vida, causa espécie a profunda desigualdade que ainda persiste, se considerarmos os diferentes estratos populacionais existentes e as diferentes condições de vida.
*Conselheira do Instituto Brasileiro de Qualidade de Vida (IBQV)

